A pouco tempo estive em Caruaru, no agreste pernambucano, para participar de um certo evento e tive a grande oportunidade de conhecer um empreendimento local do programa Minha Casa Minha Vida que tem sido bastante elogiado por seu belo projeto arquitetônico.
Trata-se do condomínio Wirton Lira, desenhado pelo escritório Jirau Arquitetura, da mesma cidade. O projeto foi um dos poucos selecionados para representar o Brasil na 14ª Mostra Internacional de Arquitetura da Bienal de Veneza, que aconteceu no ano passado.
Quem vê as fotos do projeto se surpreende bastante, dada a completa mesmice da maior parte dos empreendimentos do tipo, que somente reproduzem o mesmo modelo.
A visita ao local, porém, mostra uma realidade totalmente diferente. Mais uma vez, temos um conjunto do programa MCMV longe da cidade, sem comércio nem serviços, longe dos equipamentos públicos, sem conexão com nada… enfim, sem qualquer urbanidade. As áreas que foram destinadas a ruas e espaços públicos, como mostram as fotos do dia da visita, são a imagem do extremo abandono, com grande acúmulo de entulho e lixo. Faltam diversos equipamentos e serviços públicos, e as oportunidades de emprego e de acesso a educação, lazer e cultura estão muito longe dali.
Isso mostra que arquitetura desvinculada de urbanismo não funciona e que montar uma máquina de produção de casas sem nem chegar a considerar a total inexistência de qualquer política ou programa que apoie a produção de cidade não levará a resultados de alta qualidade.
Claro que isso não é responsabilidade do escritório que elaborou o projeto, mas mostra que continuamos fazendo um modelo de produção de habitação social totalmente incapaz de atender os diversos requisitos de uma moradia correta, que incluem o projeto da residência, sim, mas vão muito além disso…
Fonte: Notícias Yahoo
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